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Projeto da UFPE de letramento digital atende pessoas idosas do Recife

Oficinas, formação de recursos humanos e criação de centro tecnológico comunitário dentro da Universidade integram a iniciativa

Por Allane Silveira

Um grupo de professoras e estudantes de mestrado e de graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) está conduzindo um projeto de inclusão digital voltado a pessoas idosas do Recife. O Programa de Promoção da Alfabetização e Letramento Digital em Saúde de Idosos Comunitários no Município do Recife (PE) começou em setembro de 2022 e deve se estender até agosto de 2024. A equipe do projeto promove oficinas de alfabetização e letramento digital em saúde com pessoas idosas do Distrito Sanitário 4 (DS4) e formação de recursos humanos.

Fotos: Divulgação

Atividades acontecem em quatro núcleos móveis nos bairros do Distrito Sanitário 4

O programa também prevê a criação de um Centro Tecnológico Comunitário (CTC), o LAB60+digital, no prédio onde funciona o Programa do Idoso (Proidoso) da UFPE. No LAB60+digital, vão ser oferecidos cursos básicos e avançados em regime de fluxo contínuo. O laboratório será inaugurado em março de 2024 em comemoração aos dez anos do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da UFPE (PPGERO).

O Proidoso é um programa vinculado a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc), coordenado pela professora Anna Karla Tito. No programa, funciona o Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI), localizado no Campus Recife da UFPE, na Rua Jornalista Anibal Fernandes, s/n°. No mesmo prédio do NAI também funciona a Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati).

Idosas concluem o curso e recebem certificado

As oficinas, direcionadas ao manuseio do celular e navegação na internet via aparelho, acontecem em quatro núcleos móveis nos bairros do DS4, que abrange Caxangá, Cidade Universitária, Cordeiro, Engenho do Meio, Ilha do Retiro, Iputinga, Madalena, Prado, Torre, Torrões, Várzea e Zumbi. Além dos núcleos móveis, existe o núcleo fixo que funciona nas instalações do Proidoso. No total, são dez grupos de convivência. A meta é alcançar, pelo menos, 200 pessoas idosas até outubro desse ano.

Além das oficinas, o programa realiza capacitações junto a agentes comunitários de saúde e outros profissionais. A produção de cartilhas e materiais instrucionais personalizados também está incluída entre as atividades do programa. As oficinas acontecem em três semanas, sendo um encontro por semana, cada um com, no mínimo, duas horas de duração. Os grupos têm, no máximo, 16 pessoas idosas e quatro técnicos, que dão as orientações. Antes do início das oficinas, o idoso ou a idosa passa por uma avaliação em que se analisa o nível de conhecimento em navegação no seu próprio dispositivo. A equipe também realiza uma segunda avaliação após as oficinas.

A coordenadora do projeto, Maria das Graças Coriolano, explica como o programa deu seu primeiro passo. “Nós fizemos uma parceria entre Proidoso, PPGERO e Prefeitura do Recife, o que nos possibilitou ter acesso aos líderes desses grupos de convívio de pessoas idosas do Distrito 4. A prefeitura mobiliza as pessoas idosas para que elas formem esses grupos, que podem se constituir de maneira independente também. Eles são ligados às Unidades de Saúde da Família, à assistência social e funcionam nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), nos Centros Comunitário da Paz (Compaz) ou ainda de forma independente”, descreve.

Equipe da coordenação e monitores do projeto

No início do programa, a pesquisadora conta que o foco era promover as formações. “Começamos investindo primeiro na capacitação dos agentes de saúde com o curso de inclusão digital. O objetivo era que essas pessoas pudessem ser também multiplicadoras e se sensibilizassem com o que nós estávamos propondo. Elas abriram o caminho para termos acesso aos idosos e idosas, apresentando-nos”,conta a pesquisadora. O curso com os agentes de saúde teve uma carga horária de 20 horas e contou como capacitação para progressão funcional dos profissionais.

Ione Maria de Carvalho, de 69 anos, que finalizou umas das oficinas, contou um pouco sobre a experiência “Eu gostei muito. Muita coisa que eu não sabia mexer no meu telefone eu aprendi. A gente tem que memorizar muita coisa e o idoso tem mais dificuldade de memorizar. Aprendi a abrir o Google, como fazer pesquisa nele, fazer fotos, enviar e salvar. Ganhei uma apostila que estou sempre olhando”. Ione fala que, frequentemente, fica insegura ao manusear o celular em casa e que, com a orientação que recebeu nas oficinas, sente-se mais confiante. “Aqui, a gente faz sem medo, né? A gente já vai fazendo aquilo ali com certeza de que está fazendo as coisas certas, porque eles estão ensinando”, explica.

O projeto tem financiamento da Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) por meio do Edital 14/2022 de Inovação Inclusiva no Combate a Exclusão Digital em Pernambuco (Inclui.PE Digital), que contemplou oito projetos. A proposta foi idealizada por quatro professoras do PPGERO, a coordenadora Maria das Graças Coriolano; Carla Cabral dos Santos Accioly Lins; Anna Karla de Oliveira Tito Borba, que coordena o Proidoso; e Vanessa de Lima Silva. O programa também envolve 14 técnicos, dentre estudantes e profissionais. Todos recebem uma bolsa de fomento à inovação (BFI) para a realização das oficinas. O grupo técnico é formado por dez estudantes de graduação da UFPE, uma mestranda do PPGERO, uma mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU) e dois profissionais externos.

Mais informações
PPGERO
(81) 99683.8060 WhatsApp institucional
Proidoso
(81) 2126.3160 WhatsApp institucional

Data da última modificação: 24/08/2023, 15:18